quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A desequilibrada dinâmica da vida.

Quase um mês sem postar, me deu uma vontade de vir aqui devanear novamente...

Mas dessa vez nada de negas com histórias medonhas, nem frases soltas de sentidos implícitos e oscilantes entre as almas que as observam. Quero apenas devanear, muitas vezes é libertador e saudável.

É admirável o fato de que, quando mais estamos equilibrados, tendemos a cair. Porque nao há queda sem equilíbrio; alguém que ja perdeu o equilíbrio e caiu, naquele momento não pode cair de novo. Portanto, para cair, é preciso somente estar equilibrado, já que o equilíbrio nao é e nunca foi permanente. Estava centrado em tantas coisas, absortos nos compromissos do dia-a-dia, preocupado somente com o horário de chegar em casa e o horário de ir para a aula, coisas mundanas e corriqueiras. Será que isso é o equilíbrio? Será que equilíbrio é sinônimo de inoperância e ociosidade? não sei... mas fato é que considerava-me equilibrado, até então. Veja como tudo é questão de pontos de vista! E veja como a dinãmica da vida modifica o referêncial de equilíbrio que queda, de auge e fossa!

Enfim, novos ventos, circunstâncias e ocasiões sugiram e percebi o que realmente é a queda e o que realmente é o equilíbrio. Descobri também qual o verdadeiro referêncial... ou não. O problema é o ângulo pelo qual você observa tudo.
Hoje estou no céu, amanhã, de volta à Terra.

Eis a dinâmica da vida, eis os devaneios humanos, eis a realidade, nua, crua, ou da maneira que seu referencial lhe permitir enxergar.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Silêncio

Do alto da colina,
bem lá do alto, em cima de uma pedra
ela abriu os braços, enquanto ventava.
Os cabelos ondulando indicavam liberdade
o aperto no peito indicava prisão.
A chave: o grito profundo que ela soltou.

terça-feira, 29 de setembro de 2009


Era mulata, do cabelo duro, do sorriso branco e com histórias pra contar. A mais recente era do menino que soltava pipa, e, distraído, caiu no poço. Tão trágicas eram suas histórias. Daí começou a correria, era gente gritando, as crianças assustadas, mãos à boca por todo lado. A mãe do menino era só tristeza, lágrimas e desespero. Impossível definir a expressão facial daquela mulher. O menino lá debaixo ora gemia, ora fazia silêncio; o silêncio angustiava. Aí o barulho das sirenes foi chegando, e o caminhão vermelho estacionou. Os bombeiros injetaram esperança em todos aqueles olhos aflitos, de menos no da mãe, que chorava cada vez mais. A corda foi lançada, um dos bombeiros desceu, e na volta, em um dos braços, o menino desacordado, um corte na cabeça e escoriações pelo corpo. No dia seguinte o poço foi fechado com uma tábua, ali ninguém caía mais. Um mês depois o mesmo menino novamente soltava pipa no mesmo terreno baldio.

As histórias da mulata do cabelo duro obedecem uma regra: sempre têm finais felizes.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Daqui até a eternidade

Naquele momento o toque da mão foi infinito, a vontade cedeu lugar à esperança, a resistência acabou, o corpo perdeu e o sentimento venceu... Nada mais importava: o celular vibrando, as vozes altas embaralhando a mente, o cheiro sufocante do cigarro, a confusão humana que se instalara no lugar. Tudo era estático e irrelevante, estávamos juntos ali, senão olhos nos olhos, corações com corações. E são estes os momentos que marcam, que permanecem na memória, que se tornam simbólicos para aqueles que os vivem; eles não acabam, na verdade nem começam. Eles sempre existiram, mas num subconsciente que jamáis suspeitávamos existir. Esperam apenas a oportunidade adequada para manifestar-se; a oportunidade em que os dois se encontram, no lugar certo, na hora certa. E aí o relógio pára, o vento pára de soprar, a música abaixa e os movimentos ficam lentos... exceto as batidas do coração, que ficam mais sonoras, mais frequentes e insistentes: a partir dali jamais morrerei enquanto você sobreviver.

Não existem momentos que eu queria que fossem eternos. Eles já o são por natureza.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Felicidade dependente.


A felicidade tem o tamanho que você permite.
A dimensão que você se proporciona.
A intensidade que você consente.
Ela é, além de tudo, o sorriso sincero que você ostenta.
A felicidade, portanto, depende de você. E de mais nada.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Relax, take it easy

É curioso como a falta de tempo que corrompe a sociedade moderna corrói os hábitos mais saudáveis e agradáveis da humanidade. Peço desculpas aos seres humanos que apreciam o Abajur Cor de Carne, minhas postagens esporádicas devem realmente irritar, mas prometo que em breve retomá-las-ei em grande estilo.

Lembrem-se, até a Mode tem uma segunda temporada:
www.modemoderna.blogspot.com

sábado, 29 de agosto de 2009

Solidão mais que auto-suficiente

A solidão permite-se. Permite situações a si mesma inimagináveis. Permite devaneios de todos os tipos, tamanhos, idades e cores. A solidão tem um fim em si mesma; é como um anel. Ela é, simplesmente. Não se importa com nada nem ninguém, pois ela se basta, e possui o que sempre procurei: a auto-suficiência. Como eu queria ser auto-suficiente. Quantas pessoas buscam o fim da solidão, e não enxergam que ele encontra-se embutido na própria solidão, em sua essência, em sua razão de ser. O que é a companhia senão várias solidões individuais reunidas? Ou melhor, uma solidão compartilhada. Talvez não seja nada disso, há quem tenha medo das consequências que a demasia da solidão traz...

Deixem-me, preciso ficar sozinho um pouco pra pensar numa próxima postagem mais interessante que essa.