terça-feira, 24 de agosto de 2010

Cabra-cega

Eu ando procurando.
Ando procurando a felicidade por todos os cantos.
Já cheguei a achar que encontrei, e quando finalmente ia ter certeza, era só mais uma blefe do destino.
Ando procurando a felicidade no mundo inteiro.
Procuro no norte, no sul, até mesmo na Lua.
O que encontro são apenas ilusões passageiras e pálidas,
que perto da felicidade chegam a ser insignificantes.
Procurei em fotos, em restaurantes, em passeios e festas.
Procurei em casa, em mim mesmo, até na morte.
De vocês tenho apenas lembranças.
Tenho objetos, cartas, cheiros, memórias...
Tenho apenas a dor da incerteza, o ardor da saudade,
que fere, que machuca e grita: não voltarei!
Essa é a consequencia da busca pela felicidade.
Cicatrizes por todo o corpo, arranhões, máscaras, e a saudade,
causa e efeito de tudo isso.
Mas guardo todos os objetos, memorizo os cheiros, revelo as fotos, morro com as lembranças.
Na esperança de que, caso não encontre a felicidade, encontre talvez nessas coisas algo que me reconforte, e que me engane, mostrando somente o espectro da felicidade que outrora eu julgava ter encontrado.
Por enquanto, coleciono objetos e saudades, machuco-me, mais e mais.
Até que encontre finalmente a felicidade, ou morra procurando.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Desejos

Eu queria ser uma árvore, impassível
Eu queria ser egoísta, só por um minuto
Eu queria ser o árbitro das minhas atitudes
Eu queria ser o sábio das histórias
Eles nunca erram
Eu queria ser, por um momento, onisciente
Eu queria ser mais do que sou, às vezes
Às vezes, contudo, queria ser menos
Eu queria ser também
Eu queria poder ver do alto, tudo
Mas queria descer depois
Eu queria ter, ter e ter...
E ser, também, só meu
Eu queria ser senhor das léguas
Eu queria ser daqui, de lá
Eu queria acertar mesmo errando
E parar de errar, só um pouco
Eu queria ser o mar, um rio
ou talvez um riacho...
Eu queria ser um grão de areia
E isso, absolutamente, eu sou.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Contra-mão

Pessoas vêm e vão...
Algumas ficam, outras ficaram, mas já se foram,
porque pessoas vêm e vão.
Com elas, também as experiências vêm,
e às vezes vão, também.
Deveriam ficar, mas nem sempre ficam.
Já me disseram, algumas vezes,
que o erro vem para ensinar,
e que uma dor serve para cicatrizar a outra,
e assim por diante, num ciclo eterno,
onde o maior prejudicado é sempre você.
Pessoas vêm e vão,
mas trazem consigo um punhado de qualidades e defeitos.
Um punhado de manias, boas e ruins.
Um punhado de vontades.
De rumos... elas vêm, mas elas vão.
Qual o seu rumo?
Quisera eu seguir as pessoas que vêm...
Quanta inocência. Não adianta segui-las,
elas sempre vão, não importa o que você faça.
Siga-as, e elas lhe confundirão,
até perde-las de vista.
Porque elas vão...
Mas, como tudo na vida, há sempre o lado bom:
há sempre alguém pra chegar.
Alguém que também trará suas manias, vontades,
defeitos, qualidades...
Alguém que você irá querer seguir,
mas atenção!
Não siga, pise no freio.
Você não precisa errar de novo,
não precisa sentir dor,
essa dor não lhe fará encontrar a última pessoa que tentou seguir...
Não siga...
Esse alguém, de uma maneira ou de outra,
também ira.


segunda-feira, 3 de maio de 2010

Saudade

Nunca pare, nunca reflita, nunca...
Verás que muita coisa não faz sentido
Muita coisa, ou até mesmo nada.
Nada talvez faça sentido...
Vivemos de momentos,
meses, anos, e assim a vida vai.
E ela realmente vai,
por mais que não queiramos...
Vivemos mais que de momentos
Vivemos de encontros e desencontros
que acontecem em momentos
e se perdem nos meses, anos...
E, assim como a vida,
os encontros e desencontros se vão...
Porque algumas coisas resistem tanto à passar?
Porque a saudade não passa?
A saudade do encontro, do momento, do mês...
A saudade do cheiro, do sorriso, dos olhos.
A saudade da saudade...
Porque ela não se vai, como a vida?
Aliás, porque sentir saudade?
Não tente responder até que ponto
ela faz bem ao coração.
Não faz sentido. Nenhum.
Se vivemos de tempo, dias, meses
momentos, anos, que se vão, se vão
e tudo isso é abstrato, tempo é abstrato sim;
Nossa vida é abstrata, somos abstratos.
Vives de momentos,
tão abstratos como o tempo que eles duram.
Também abstratos são os encontros
e desencontros. Desencontros.
Não pare, não reflita
não leia este texto...
Sua vida, seu momento, seu tempo
está passando, indo como os meses.
E seu encontro
acaba de embarcar no primeiro vôo...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Prótons, (neutrons) e elétrons

Desconhecemos muita coisa. Mais do que conhecemos. E, o que achamos que conhecemos, às vezes nos surpreende, e mostra-nos do que realmente somos feitos: prótons e elétrons. Já foram muito estudadas por muita gente as propriedades da matéria, e dos mesmos prótons e elétrons que nos compõem. É aí que entram as surpresas...

Os cientistas não podiam esperar que prótons e elétros, que formam células, que formam os tecidos, que formam os órgãos, que formam os sistemas, que formam a gente, sentissem. Não podiam esperar que coisas tão pequenas, juntas, possam sentir tão complexamente. Mas sentem. Sentimos. Humanos sentem! Uns mais que outros, mas seres humanos, em geral, sentem.

O problema é quando sentimos demais. Sempre extremos, ou quente ou frio, morno nunca. Mas existe morno quando falamos de porcelanas? Elas são perfeitas e intactas até o momento em que despencam de qualquer altura, que é quando abandonam sua harmonia para transformar-se em cacos, dezenas de cacos. Podemos colá-la, claro que podemos... mas os que sentem muito, não conseguem mais olhar para a porcelana e encará-la da mesma forma. Não existe o morno para porcelanas. Ou elas são perfeitas, ou não.

Aplauda a complexidade originada por seus prótons e elétrons, ela é você, pura e simplesmente. É você, seus sentimentos, suas angústias, suas fantasias, seus medos, suas barreiras, sua vida. Extremos: ou positivo, ou negativo, neutrons nunca.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Alternância

Ora sol, ora chuva
Ora colorido, ora preto e branco
Ora sorriso, ora lágrimas
Ora dor, ora felicidade
Ora noite, ora dia
Manhã, tarde e noite
Ora lindo, ora feio
Ora eu, ora você
Ora nós
Ora sim, ora não
Ora energia, ora sono
Ora céu, ora terra, ora inferno
Ora Berlim, ora lapa
Ora essa!
Ora xis, ora sério
Ora deita, ora rola
Ora cabeça, ora ombro
Ora joelho, ora pé
Cabeça, ombro, joelho e pé
Ora cheiro, ora cheio
Ora ordem, ora anarquia
Ora casa grande, ora senzala
Ora M, ora L
Ora Mode, ora bolas
Ora essa!!
Ora centro, ora periferia
Ora...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Indeterminante

E assim, rumou em direção ao incerto, ao inacabado. Onde sempre teria o que fazer, porque lá sempre há o que fazer, e o que terminar. O problema é que há muito pouco o que começar. Sempre terminando o que outros começaram, sempre construindo e terminando algo que nao é seu, e que não será. Aliás, na terra do incerto e do inacabado, nada se termina. E mesmo que haja pouco o que começar, sempre há, mas poucos encontram. Só não conseguem terminar. Às vezes são felizes, mas nunca, nunca em sua plenitude, por mais que não queiram admitir. Ostentam sorrisos nos rostos e posturas alegres e descontraídas, mas no interior, metade sombra, metade luz. Alguns possuem buracos, de onde deixam sair um pouco da metade de luz, e levam essa claridade para aqueles que não possuem esses buracos, que são justamente os que não conseguem começar nada na terra do inacabado. Rumando para lá, sabia que não haveria volta, a menos que terminasse o que começou... esqueceu-se somente que na terra do inacabado e do incerto, nada se termina...