sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

como é possível?
Algo sobreviver a tanto, e a tanto tempo? Já deveria ter acabado, ou acabou e renasceu, ou nunca acabou e quem cansou de acreditar fui eu? Algo que sempre esteve vivo, travestido de sentimentos avessos, contradições diárias, ciúmes possessivos e possessões ciumentas. Faltou-nos o equilibrio do talvez, éramos sempre 'sim' ou 'não'. Obviamente houve resistência, éramos gladiadores contra a vida, mas quem não o é sempre? Como fazer acontecer algo que já aconteceu mas não morreu, tampouco vive em nós dois, não fazendo mais o menor sentido a presença única... Isso é assim, deve ser compartilhado, vivido por ambos, inútil existência em um só. Eu só queria ser feliz ao meu modo, num mundo que não é só meu, nem só seu, nem só nosso, e sim de um eterno cruzamento de energias que se transpassam, de vontades que se atropelam, onde não há lei que controle todo o caos, e aí nos perdemos uns nos outros, eu em você, eu em mim mesmo, e nunca que me acho de novo! Nunca que te acho de novo... Até que me reencontro, caído em calçadas sujas, envergonhado de tanto, orgulhoso de tudo, cheio de mim. Onde está você agora, enjaulado em sua própria cena, em que o ator principal era eu, sempre encenando, contracenando contigo, eterno coadjuvante da vida dos outros, personagem principal da minha vida. Vida que não é só minha, é de todos, e aí está o problema: egoísmo, não soube dividir você com todo o resto que exigia tanto a sua presença quanto eu, mas o que esse resto não sabia era que você era como o caule da flor, sem propósito de existência quando todas as pétalas caem e só sobra o resquício do que um dia foi um amor verdadeiro. Porém, toda a verdade só se revelou quando tudo isso chegou ao fim, o fim da existência inacabada de nós dois, que sempre procurávamos nos completar, embora nem mesmo estivéssemos completos em nós mesmos. Um fim que também foi unilateral, ou não teria sido? Houve de fato um fim pra essa maré de emoções? Marés geralmente não têm fim, elas vão e vêm, como costumávamos ser nós dois... Mas numa tarde qualquer a maré apenas subiu, esqueceu de descer, eu esqueci de descer do palco, mas não você: a maré que não desceu permaneceu estável como sempre esteve, a variável da história toda era eu, sempre inconstante, sempre em busca de uma razão que nenhum de nós poderia dar a tudo isso. Sempre procurei ver as coisas como elas realmente são, só me esqueci de entrar na sua cabeça, e na cabeça dele, na cabeça dela, para ver como eles energam as coisas como elas realmente são, e aí criei um universo meu, onde vivia sozinho com minhas frustrações e desejos inibidos, que ainda persistem mesmo quando as únicas coisa que sobraram disso tudo foi uma enorme cicatriz e uma foto, que não mostra nada de nós dois, uma vez que sempre nos escondiamos de nós mesmos...

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Uma flor de papel. É tudo o que resta. Nenhuma carta, nenhum bilhete, nada. As lembranças devem ser apagadas, soterradas pela vergonha que restou da grande tragédia que foi esse espetáculo. Soterradas pela vergonha e afogadas pelas lágrimas que brotaram deste último encontro, tão fatídico, tão cruel, tão resoluto, tão último. E aí eu esqueço que sei falar, que sei pensar, esqueço até que sou, me transformo num extraterrestre que só deseja voltar ao seu planeta, onde as coisas saem sempre a seu modo. Um ET que apareceu na sua vida, abduziu sua personalidade e agora é obrigado a retornar para a nave, só com uma flor de papel. Sem cheiro, sem aroma, sem pétalas. Sem espinhos, como você. E eu que achava que sempre estava me espetando, que sempre haveriam cortes profundos e incuráveis, enquanto você me dava apenas seu aroma e sua beleza. Triste fim, triste flor de papel.

E ajo como um robô, com suas ações previsíveis e automáticas, incapaz de fugir do clichê de palavras que sempre saem da boca de quem comete erros. Erros que já se repetiram vezes, e mais vezes, e mais vezes... E espero reações que não são suas, ou que são, mas não poderão ser agora. Não poderiam por ninguém que sente, que sofre, que chora, que vive. Sequer por robôs ou extraterrestres. Nem mesmo por flores de papel, que simplesmente existem. Então, consciente de que não haverá reação desejada, espero pelo tempo, senhor do destino. O tempo que não cura, cicatriza. O tempo que, quem sabe, dará voz à lembranças que talvez não mais existam, aquelas que foram afogadas pelas lágrimas e soterradas pela vergonha. É por este tempo que espero, e se ele não chegar, chego eu ao fim do poço, decepcionado por ter te feito sofrer, frustrado por não ter mais o cheiro da flor de papel...

quinta-feira, 3 de março de 2011

I.A.

Sempre me julgaram inteligente. Viviam me dizendo que eu iria longe, que minha inteligência era um diferencial. Diziam tanto que, afinal, me convenceram. Mas alguns acontecimentos vêm pra colocar tudo isso em cheque, e mostrar que inteligência, só, não basta para a seleção natural da vida. Veja você, tanto tempo se passou, a tempestade já acabou, a calmaria chegou, já se foi, e tornou a voltar, e cá estou eu, novamente imerso em lágrimas e me segurando em bóias de lembranças pra não morrer afogado. Nunca quis aprender a nadar, e isso não é inteligente. Às vezes me pergunto por quê. E são tantos os "por quês" que desisto no caminho, conformando-me de que não possuo as respostas. Sento-me, cansado demais pra indagar. No entanto, momentos depois, estou no chão, em busca dos cacos em que você transformou a minha vida.

Tempo atrás você disse que ainda pensava em mim, que me procuraria em breve. Foi uma bolha de ar dentro de um pulmão enxarcado, um sopro de vida em um doente em estados finais. Uma lenda, enfim. Esperei, como sempre esperei o tempo todo por mais verdade, por mais respeito, por mais lealdade, compreensão, sabedoria, amor, palavras. Tudo isso são palavras, e o que significam, afinal de contas? Significam que talvez nada tenha feito sentido, pois estamos distantes um do outro, como sempre estivemos, de fato. Você não procurou. Era mais uma mentira. E o inteligente aqui ainda cai, como um bebê, capaz de tomar o mesmo susto dezenas e dezenas de vezes. O inteligente não consegue esquecer você, que várias vezes esqueceu de mim em nome do seu ego e de sua ansiedade por fazer o impossível e me fazer sofrer. Não que eu duvidasse do seu amor, disso nunca duvidei. O estranho era sua forma de amar. E pensar que eu, que já acabei com tudo diversas vezes, seria o que mais sentiria sua falta.

Inteligência Artificial, nada mais que ignorância disfarçada de mérito.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Coração não é parque de diversões
não é playground
não é brinquedo
não é brincadeira
é coisa séria;
sente,
ama,
sofre,
pensa,
respira,
morre.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Caça ao Tesouro

Vasculhei bibliotecas inteiras,
folheei milhares de páginas,
li milhões de frases,
embaralhei mais letras ainda.
Rodei todo o país,
percorri as três Américas,
atravessei o Oceano,
dei a volta ao mundo.
Mudei de galáxia,
visitei universos vários,
saltei sobre estrelas,
corri todo o cosmos.
Tudo isso atrás de um só objetivo:
a receita para dominar meu coração.
Dominar sua vontade incessante de um outro
que bata no mesmo compasso que o seu.
Dominar seu desejo de desejar,
de amar, de precisar,
de procurar, de esperar...
e, a consequência da decepção,
da dor, da frustração.
Domar essa fera dócil,
que tanto precisa de uma igual
pra se sentir completa.
Preciso dessa receita, pra me domar,
pra não chorar, pra não amar.
Procurei no escuro, não sei se ela existe.
Não sei se é possivel domar o indomável.
Podar algo de um ato que lhe é seu por natureza,
impedir o coração de exercer seu único cargo: amar.
Continuo, contudo, procurando...
Não sei qual o próximo passo, mas espero,
no fundo, não me apaixonar mais uma vez
nesta empreitada.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Confesse!

Oi! Meu nome é Cícero.
Respondendo à sua pergunta, não sei porque estou aqui, e nem qual é o objetivo desta reunião. Mas me pediram para vir, eu não tinha nada a perder, então aceitei. Me disseram que eu só precisaria falar, e, se realmente for só isso, tudo bem.
Meu nome é Cícero, tenho 23 anos, sou daqui mesmo. Moro com minha mãe desde a data de sua separação, mais ou menos há onze anos atrás. Faço engenharia e faltam três períodos para me formar. Aparentemente vivo bem, tenho tudo o que preciso para estudar, tenho uma mãe maravilhosa dentro de casa, pucas dificuldades financeiras... Não sei bem o que estou fazendo aqui, realmente.
Sim, claro, eu sei que isso não é tudo. Tenho problemas também, como qualquer pessoa. Ultimamente tenho pensado muito em mim, na minha vida, e na vida das pessoas que vivem ao meu redor. Tenho percebido que elas sofrem, também. É, porque às vezes penso, acho que todo mundo pensa, que nossos problemas e sofrimentos são os maiores do mundo, mas tenho visto que não é bem assim... E, de repente, me vi encurralado! Tenho três grandes amigos, juntos formamos um quarteto, e, por incrível que pareça, os quatro resolveram criar problemas ao mesmo tempo!
Mas, sabem, isso tem um lado bom, eu acho. Estamos sempre na sombra uns dos outros, sempre escorados por ombros que talvez sequer estejam preparados para nos segurar. Mas agora sabemos que nenhum dos quatro ombros está sendo capaz de ajudar uns aos outros, então temos que nos virar com as armas que temos. Temos que nos entender com nós mesmos, na falta de um ou de outro ombro amigo.
É um grande exercício de auto-conhecimento, vocês não acham? Parando pra pensar, e lembrando das outras histórias que ouvi aqui hoje, acho que sei o que estou fazendo aqui... Meus sentimentos me dominam, e, afinal de contas, todos aqui podem se ajudar mutuamente, eu acho. Sinto um desespero muito grande ao me deparar com situações que independem de mim, que me deixam com as mãos atadas. Desespero-me fácil, sofro também fácil. Daí quando descubro de fato que não havia motivos para tanto desespero, tranquilizo-me com a mesma facilidade que havia me desesperado. Definitivamente, não dá pra viver oscilante dessa forma!
Perdão, acho que já me delonguei demais, me desculpem. Passo a palavra, obrigado pela atenção.

A todos os que sofrem, choram, sangram por dentro. A todos os que agonizam, aos que passam por provações que a vida impõe, inevitáveis. A todos que imploram por piedade, a todos que se alimentam de esperança e fé, a todos que dependem de providências que não cabem a si. A todos que não encontram na vida razão para continuar seguindo. A todos que julgam não haver saídas, a todos que encontram portas fechadas a todo momento. A todos que encontram-se ilhados dentro de si mesmos, em meio a uma tempestade que parece eterna. Também a todos os que estão felizes, os que têm motivos para sorrir.


Isso também passa...

sábado, 4 de dezembro de 2010

No abrir das cortinas...

Apresento-lhe o espetáculo da vida!
Acalme-se, ele sempre te surpreenderá.
Segure-se, você não está preparado.
Respeite, ele é bem maior que você.
Reflita, você não tem muito tempo.
Aceite, ele só acaba depois que você sair.
Ignore, ele tentará te irritar.
Respire fundo, paciência é uma virtude.
Acredite, não é uma comédia.
Decepcione-se, é apenas um drama.
Sorria, se não quiser chorar.
Raciocine, você só tem uma chance.
Olhe para os lados, todos estão com medo.
Aproveite, para trás você não olhará.
Procure, ele não tem protagonistas.
Pergunte-se, "onde é a saída?"
Ouça, seu tempo está acabando.
Catalize, ele tentará te atrasar.
Lute, você é capaz!
Renda-se, ele é mais forte que você.
Grite, o mais alto que puder.
Envergonhe-se, niguém pode te ouvir.
Corra, mas não tropece.
Volte, ele quer você aqui.
Feche os olhos, é o que ele ordena.
Aplauda, é sua única opção.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Outubro de 2003

Tia Regina, como vai a vida aí em cima?
Aqui está a mesma desordem de sempre... Parece que os anos se passaram, que a dor foi se atenuando, que a vida foi se ajeitando, mas no fundo continua a mesma coisa! Continuo com saudade da sua broa, do seu carinho, da sua música, de passar tardes inteiras à toa na sua casa, de ver "Sai de baixo" gravado na fita k 7, de observar o aquário no quarto dos meninos, de esperar minha mãe chegar na ponta dos pés através do murinho, mais alto que eu. Se pudesse me ver hoje, veria que sou capaz de pular aquele murinho sem muito esforço. Aliás, você consegue ver tudo o que se passa aqui embaixo? Se consegue, você pode interferir nas coisas? Se não puder interferir, você pode pelo menos me ajudar a fazer a coisa certa na hora certa, já que você sabe o que se passa?
Deve ter alguma vantagem em se perder alguém que gostamos tanto... talvez a gente ganhe um guia, algo como um imã de bússola, que sempre aponta pro norte. Não sei por que estou escrevendo isso, não faz o menor sentido, até porque se você for capaz de saber o que se passa aqui embaixo, não vai precisar ler o post, já que sabe que estou escrevendo. E se não for capaz, não adianta, já que nao vai poder ler nada disso...

São, mais uma vez, palavras ao vento, mas que expressam saudades, saudades infinitas... Qualquer dia, minha tia, a gente vai se encontrar.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Superação

Eu sou eu.
Sou eu e minhas dúvidas. Sou eu e minhas respostas.
Mais dúvidas que respostas, mas a vida é assim. Você pensa, age, erra, acerta, vibra, chora, se arrepende, sabe, esquece, mas sempre tem dúvidas. Nunca sabe tanto que não possa ter dúvidas, nem nunca tem tantas dúvidas que não possa ter mais.
E volta e meia aparece a vida, com a maior de todas as dúvidas: viver. E quando ela surge, traz consigo a saudade. E você passa a ter vontade de sentir-se jovem novamente, de reviver algumas sensações, de rever algumas cenas no back up de sua mente, de respirar velhos ares, de olhar velhos montes, de tropeçar em velhas pedras... O desafio maior é ser capaz de fazer todas essas coisas no intocável inconsciente que é a memória. É o desafio de surpreender-se com o passado, de assustar-se novamente, de ter na pele a sensação inédita de olhar-se no espelho vinte anos mais jovem, e tocar seu rosto sentindo rugas. É sentir a dor do primeiro tombo, quando suas pernas são já cobertas de cicatrizes. Sentir prazeres já conhecidos e ainda assim desfrutá-los.
E quando você é capaz de tudo isso, tem vontade de viver, é esta a resposta que a vida quer, tenha vontade. Eis que surge a solução imersa no próprio problema, da mais confusa dúvida advém a mais simples resposta. Junto da vontade de viver, vem a vontade de amar, de se doar, de se conhecer, de respirar, de ter mais dúvidas, e sangrar atrás de respostas, que talvez nunca cheguem...
A grande questão é o que acontece quando não conseguimos vasculhar nossa memória em busca de tantas lembranças-combustíveis da vida. Tal incapacidade de reviver revela-sena reconstrução, e recebe o sugestivo nome de "superação".

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Cabra-cega

Eu ando procurando.
Ando procurando a felicidade por todos os cantos.
Já cheguei a achar que encontrei, e quando finalmente ia ter certeza, era só mais uma blefe do destino.
Ando procurando a felicidade no mundo inteiro.
Procuro no norte, no sul, até mesmo na Lua.
O que encontro são apenas ilusões passageiras e pálidas,
que perto da felicidade chegam a ser insignificantes.
Procurei em fotos, em restaurantes, em passeios e festas.
Procurei em casa, em mim mesmo, até na morte.
De vocês tenho apenas lembranças.
Tenho objetos, cartas, cheiros, memórias...
Tenho apenas a dor da incerteza, o ardor da saudade,
que fere, que machuca e grita: não voltarei!
Essa é a consequencia da busca pela felicidade.
Cicatrizes por todo o corpo, arranhões, máscaras, e a saudade,
causa e efeito de tudo isso.
Mas guardo todos os objetos, memorizo os cheiros, revelo as fotos, morro com as lembranças.
Na esperança de que, caso não encontre a felicidade, encontre talvez nessas coisas algo que me reconforte, e que me engane, mostrando somente o espectro da felicidade que outrora eu julgava ter encontrado.
Por enquanto, coleciono objetos e saudades, machuco-me, mais e mais.
Até que encontre finalmente a felicidade, ou morra procurando.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Desejos

Eu queria ser uma árvore, impassível
Eu queria ser egoísta, só por um minuto
Eu queria ser o árbitro das minhas atitudes
Eu queria ser o sábio das histórias
Eles nunca erram
Eu queria ser, por um momento, onisciente
Eu queria ser mais do que sou, às vezes
Às vezes, contudo, queria ser menos
Eu queria ser também
Eu queria poder ver do alto, tudo
Mas queria descer depois
Eu queria ter, ter e ter...
E ser, também, só meu
Eu queria ser senhor das léguas
Eu queria ser daqui, de lá
Eu queria acertar mesmo errando
E parar de errar, só um pouco
Eu queria ser o mar, um rio
ou talvez um riacho...
Eu queria ser um grão de areia
E isso, absolutamente, eu sou.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Contra-mão

Pessoas vêm e vão...
Algumas ficam, outras ficaram, mas já se foram,
porque pessoas vêm e vão.
Com elas, também as experiências vêm,
e às vezes vão, também.
Deveriam ficar, mas nem sempre ficam.
Já me disseram, algumas vezes,
que o erro vem para ensinar,
e que uma dor serve para cicatrizar a outra,
e assim por diante, num ciclo eterno,
onde o maior prejudicado é sempre você.
Pessoas vêm e vão,
mas trazem consigo um punhado de qualidades e defeitos.
Um punhado de manias, boas e ruins.
Um punhado de vontades.
De rumos... elas vêm, mas elas vão.
Qual o seu rumo?
Quisera eu seguir as pessoas que vêm...
Quanta inocência. Não adianta segui-las,
elas sempre vão, não importa o que você faça.
Siga-as, e elas lhe confundirão,
até perde-las de vista.
Porque elas vão...
Mas, como tudo na vida, há sempre o lado bom:
há sempre alguém pra chegar.
Alguém que também trará suas manias, vontades,
defeitos, qualidades...
Alguém que você irá querer seguir,
mas atenção!
Não siga, pise no freio.
Você não precisa errar de novo,
não precisa sentir dor,
essa dor não lhe fará encontrar a última pessoa que tentou seguir...
Não siga...
Esse alguém, de uma maneira ou de outra,
também ira.


segunda-feira, 3 de maio de 2010

Saudade

Nunca pare, nunca reflita, nunca...
Verás que muita coisa não faz sentido
Muita coisa, ou até mesmo nada.
Nada talvez faça sentido...
Vivemos de momentos,
meses, anos, e assim a vida vai.
E ela realmente vai,
por mais que não queiramos...
Vivemos mais que de momentos
Vivemos de encontros e desencontros
que acontecem em momentos
e se perdem nos meses, anos...
E, assim como a vida,
os encontros e desencontros se vão...
Porque algumas coisas resistem tanto à passar?
Porque a saudade não passa?
A saudade do encontro, do momento, do mês...
A saudade do cheiro, do sorriso, dos olhos.
A saudade da saudade...
Porque ela não se vai, como a vida?
Aliás, porque sentir saudade?
Não tente responder até que ponto
ela faz bem ao coração.
Não faz sentido. Nenhum.
Se vivemos de tempo, dias, meses
momentos, anos, que se vão, se vão
e tudo isso é abstrato, tempo é abstrato sim;
Nossa vida é abstrata, somos abstratos.
Vives de momentos,
tão abstratos como o tempo que eles duram.
Também abstratos são os encontros
e desencontros. Desencontros.
Não pare, não reflita
não leia este texto...
Sua vida, seu momento, seu tempo
está passando, indo como os meses.
E seu encontro
acaba de embarcar no primeiro vôo...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Prótons, (neutrons) e elétrons

Desconhecemos muita coisa. Mais do que conhecemos. E, o que achamos que conhecemos, às vezes nos surpreende, e mostra-nos do que realmente somos feitos: prótons e elétrons. Já foram muito estudadas por muita gente as propriedades da matéria, e dos mesmos prótons e elétrons que nos compõem. É aí que entram as surpresas...

Os cientistas não podiam esperar que prótons e elétros, que formam células, que formam os tecidos, que formam os órgãos, que formam os sistemas, que formam a gente, sentissem. Não podiam esperar que coisas tão pequenas, juntas, possam sentir tão complexamente. Mas sentem. Sentimos. Humanos sentem! Uns mais que outros, mas seres humanos, em geral, sentem.

O problema é quando sentimos demais. Sempre extremos, ou quente ou frio, morno nunca. Mas existe morno quando falamos de porcelanas? Elas são perfeitas e intactas até o momento em que despencam de qualquer altura, que é quando abandonam sua harmonia para transformar-se em cacos, dezenas de cacos. Podemos colá-la, claro que podemos... mas os que sentem muito, não conseguem mais olhar para a porcelana e encará-la da mesma forma. Não existe o morno para porcelanas. Ou elas são perfeitas, ou não.

Aplauda a complexidade originada por seus prótons e elétrons, ela é você, pura e simplesmente. É você, seus sentimentos, suas angústias, suas fantasias, seus medos, suas barreiras, sua vida. Extremos: ou positivo, ou negativo, neutrons nunca.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Alternância

Ora sol, ora chuva
Ora colorido, ora preto e branco
Ora sorriso, ora lágrimas
Ora dor, ora felicidade
Ora noite, ora dia
Manhã, tarde e noite
Ora lindo, ora feio
Ora eu, ora você
Ora nós
Ora sim, ora não
Ora energia, ora sono
Ora céu, ora terra, ora inferno
Ora Berlim, ora lapa
Ora essa!
Ora xis, ora sério
Ora deita, ora rola
Ora cabeça, ora ombro
Ora joelho, ora pé
Cabeça, ombro, joelho e pé
Ora cheiro, ora cheio
Ora ordem, ora anarquia
Ora casa grande, ora senzala
Ora M, ora L
Ora Mode, ora bolas
Ora essa!!
Ora centro, ora periferia
Ora...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Indeterminante

E assim, rumou em direção ao incerto, ao inacabado. Onde sempre teria o que fazer, porque lá sempre há o que fazer, e o que terminar. O problema é que há muito pouco o que começar. Sempre terminando o que outros começaram, sempre construindo e terminando algo que nao é seu, e que não será. Aliás, na terra do incerto e do inacabado, nada se termina. E mesmo que haja pouco o que começar, sempre há, mas poucos encontram. Só não conseguem terminar. Às vezes são felizes, mas nunca, nunca em sua plenitude, por mais que não queiram admitir. Ostentam sorrisos nos rostos e posturas alegres e descontraídas, mas no interior, metade sombra, metade luz. Alguns possuem buracos, de onde deixam sair um pouco da metade de luz, e levam essa claridade para aqueles que não possuem esses buracos, que são justamente os que não conseguem começar nada na terra do inacabado. Rumando para lá, sabia que não haveria volta, a menos que terminasse o que começou... esqueceu-se somente que na terra do inacabado e do incerto, nada se termina...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Acabou. Agora é assim, tudo diferente:
Sem cabelo, sem dente.
E ainda tem muito o que aprender...
Vai crescer e morrer, como tudo.
E o velho coitado... foi-se!
Quem riu, riu, quem cohoru, chorou;
Quem nao riu, terá mais uma chance;
E quem chorou também, porque não?
Criança nova é engraçadinha
Mata a gente de rir...
Mas como chora! É um escândalo!
Também criança nova, quando cresce
Costuma aprender com os velhos
E o velho que morreu tem muito o que ensinar.
Ah, como tem!
Lutou feito louco, gripado e com máscara na cara;
E com agulhas no corpo também.
Lutou contra o câncer, a dor e o sofrimento.
De cabeça em pé e braços abertos, um Cristo!
Nasceu na praia, mas não vai morrer na praia.
Bem que podia...
Deixou também uma mensagem:
"Just dance"
E quem dançou, dançou...
Quem não dançou, meu amigo
Que dance agora!
Sobre o túmulo do desgraçado,
E na maternidade da criancinha!
Adeus Lênin, adeus Michael...
Vai deixar saudades, como o velho.
Vai? Sei lá...
Só que é tão mais legal brincar com o neném
Do que com a avó, nao é?
E, como sempre
A gente leva do morto saudade e herança,
Quando tem...
Mas esse tem, e é gorda!
Ah, como é...
"Houston, we have a problem"
Pra variar, como não?
Ainda bem que cada homem
É arquiteto da sua própria sorte
Prazer: meu nome é Oscar Niemeyer

sábado, 12 de dezembro de 2009

Pra alguém especial

Se um dia me perguntarem se eu amei na vida
Vou dizer que não.
Vou dizer que amei a vida.
A vida com seus mistérios e seus atrasos
A vida com sua beleza natural e espontânea
A vida sem mais, nem menos...
A vida que bate, que morde, mas que ensina
A vida que conforta e te traz paz
Mas que também é turbulenta e instável
Amei a vida que, ainda bem, Deus me deu
A vida que nem sempre a gente compreende
Mas que, em cuja ausência, nao somos nada.
Essa vida, que demora a chegar, mas quando chega, é perfeita
A vida que faz tudo valer a pena
Seja onde for, na circunstância que vier
A vida em sua plenitude fantástica
É ela que eu amo, e tudo o que a envolve
Amar a vida vai além de tudo, saiba disso...
A vida também zomba, ri, debocha
Amo-a, assim mesmo ...
Quem nunca chorou na vida que atire a primeira pedra!
E quem já deixou de amar a vida, mesmo tendo chorado?
Notou alguma semelhança?
Não resta a menor dúvida: eu amo a minha vida
Porque a minha vida é você.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

À pedidos, novamente o Mural

Mural Vazio

Separei no mural o espaço pra nossa foto, amor... aquela que não tiramos, lembra? ah, como eu queria ter tirado. Foi uma das melhores tardes da minha vida, aquela que não passamos... mas valeu a pena, sempre vale a pena quando estou do seu lado. Prometa-me que quando nos vermos, tiraremos muitas fotos e passaremos muitas tardes juntos? Eu não aguento mais viver sem o seu cheiro... é, esse mesmo! O cheiro daquele perfume que eu não te dei, pensei que você não fosse gostar... pensei que eu não fosse sentir falta dele. Ah, mas como eu sinto falta... Tantas palavras que eu não disse estão entaladas em minha garganta, e eu as profiro sempre que posso, para as paredes do meu quarto, minhas melhores ouvintes. Você gostaria de ouvir o que eu não disse, e ainda tenho para dizer. Tenho certeza que gostaria, eu conheço você.

Outro dia encontrei dentro daquele livro que voce não me deu, o papel do bombom que eu não comi... lembrei na mesma hora do dia em que você me deu o bombom, no portão da minha casa. Passei a noite toda secando lágrimas que não sairam dos meus olhos. Mas agora, neste exato momento, estou revendo nossas fotos, e resolvi separar o espaço no mural pra tal que não tiramos... e também tomando algumas decisões. Comprar um mural novo, talvez cortar o cabelo, mudar alguns quadros no quarto... e também parar de me arrepender de coisas que não fiz.